terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Insano amor
Descascava o esmalte, tomava um vinho, fecha os olhos. Esperava pelo o fim do mundo
Ria descompasadamente após o 5º, 6º ou talvez 7º copo de vinho.
Havia cansado e decidido largar a vida que lhe tanto sofrimento trouxe.
Por entre o riso falso, surgiam lágrimas verdadeiras. Uma vida de derrota e dor, era o que lhe sobrará.
Levantou-se e saiu do bar.Uma das últimas, vale dizer. Não era das que saiam primeiro, nem que logo enjoavam de beber,
ela não, ficava horas, tomando um vinho barato, com sua cabeça girando, mas sem dar o braço a torcer e parar.
Ao sair, sentou-se na calçada, olhou pro céu já claro, limpou as lágrimas e exclamou:
- FODA-SE
perdeu seu raciocinio, sua ideia, sua cabeça. Pensara em namorar, brilhar, sair e desta vez, enfim levar alguém a sério.
O gosto amargo da solidão vinha cada vez mais forte, lhe deixando as traças.
"Sorriu ao ver um sorriso familiar. Era um amigo, de infância, ao qual ela havia perdido todo contato e do nada, lhe encontra
no momento mais trágico de sua vida.
conversaram horas. Ela expôs seu medo, seus dramas, seus lamentos e sua vida."
Sem perceber, se viu falando sozinha, na beira da calçada, o que achava ser alguém era apenas um fruto de sua imaginação
já bem desgastada pelo álcool. Voltou aos choros e lamentos ... olhou para o pulso, onde dizia: "Não desista ..", olhou
para a frente, levantou-se, ao atravessar a rua, ainda meio tonta, foi atropelada.
O socorro custou a chegar e o que ela tanto desejada, havia se concretizado. Ela havia subido ao paraíso, para enfim,
mudar o rumo de sua vida. Seja lá para onde que ela tenha ido, onde nunca se sabera, ela foi para onde o luar era mais belo
onde tudo era infinito.
Não se sabe como, nem porquê. Se foi vontade própria ou a loucura da bebida que havia lhe deixado de tal modo. Apenas
lhe surpreendera ver, a data de sua morte tatuada a baixo da frase "Não desista". Se sabia ou não, não importa, importa
que ela teve a vida que lhe foi destinada. Louca, insana, sem sentimentos. Foi alguém que nunca ergueu um dedo para ajudar
e nem mesmo um sorriso para melhorar, aprendeu desde cedo o quão amarga a vida pode ser.
Ninguém sabia, que tudo que lhe havido sofrer tanto, tinha sido um amor mal resolvido. Sendo que, ambos não sabiam o quanto
se amavam.
Vivera sem saber, morrera não sabendo.
Quem sabe num paraiso, num infinito, num inferno, onde possa estar, ela venha a saber que todo amor que ela negou-se a dar
lhe era reciproco. Ele lhe amara e hoje, sofre com sua ausência.
O desejo maior é que ela cuide-o, para que no tempo que passe, tudo se passe a vida volte a ficar colorida tanto a ele e
a ela, onde ela possa estar.
escrever sempre foi além de um simples "gostar". Sempre me foi, uma necessidade, uma singela maneira de transpor todo o meu interior. Tudo que nunca tive coragem de contar à família, psicólogos e etc. Todas dores que me faziam engolir a seco, todos lamentos de um coração empedrado, que insistir vês ou outra em se despedaçar. Sempre que pude, rascunhava bobagens minhas, passados inesquecíveis, tristes sombras e dores que relutavam em minha alma. O único modo verdadeiro de expor meus sentimentos é aqui, como calma, dedicação e força de vontade, dessa forma, "tijolinho a tijolinho", vou compondo minha alma e enfeitando o meu mundo, mesmo que apenas aos meus olhos.
sábado, 17 de novembro de 2012
A verdade é que eu já morri muitas vezes e me reergui. Mas tem momentos, momentos em que me sinto desistir, de tudo, de mim, de nós, da vida, dos sonhos. E são nesses momentos de profunda solidão que acabo vendo o tão vão sentindo que é viver.
Hoje, lhe peço que não desista de mim. Se não há mais alma em meu corpo, habite-me com a sua, me faça bem, me salve ..
antes que tudo acabe, de verdade (...)
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Acabei lendo hoje, novamente sobre casos de doenças mentais que afetam escritores, artistas e etc.
Então, acabei descobrindo uma escritora, que acabei me identificando, assim como me identifiquei e me identifico com a Sylvia Plath.
Lhes recomendo: Virginia Woolf
Postarei duas frasezinhas que muito me chamaram atenção, espero que vocês curtam tanto quanto eu.
"Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro."
"Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas."
UM MEIO BEIJINHO
terça-feira, 6 de novembro de 2012
ligeiramente defeituosa
sinuosas são as estradas que ando
badaladas as noite que converso com as estrelas dos lugares por onde bandeio-me
solitários considero os dias
anos, meses
que passam e perco de vista tua fiel presença que sempre acalantou minha alma, num mar de razões e amores .. e hoje
afunda-me em desamores e tristes sonhos perdidos
na penumbra de uma noite sem luar .
domingo, 4 de novembro de 2012
O Bluebird
Em meu coração tem um pássaro que quer sair mas eu sou mais forte que ele, eu falo, fica aí dentro, eu não vou deixar ninguém te ver. Em meu coração tem um pássaro que quer sair mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro e as putas e os barmen e as caixas do mercado nunca sabem que ele está aqui dentro. Em meu coração tem um pássaro que quer sair mas eu sou mais forte que ele, eu falo, fica na tua, você quer me pôr em apuros? Em meu coração tem um pássaro que quer sair mas eu sou mais esperto, só deixo ele sair de noite às vezes quando todos estão dormindo. eu falo, sei que você está aí, então não fique triste. Daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro, eu não o deixei morrer totalmente e a gente dorme junto desse jeito com nosso pacto secreto e é bem capaz de fazer um homem chorar, mas eu não choro, você chora? Charles Bukowski Poema “O Bluebird”, do livro “Essa loucura roubada que não desejo a ninguem a não ser a mim mesmo amém” (7 Letras, pg. 155)
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